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Felipe Melo é chamado de macaco e faz gesto obsceno para torcedor no Paraguai

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O gesto obsceno de Felipe Melo antes da partida
Reprodução / Fox Sports

O gesto obsceno de Felipe Melo antes da partida

Felipe Melo mais uma vez foi protagonista de uma polêmica nesta quinta-feira (09), antes da partida de ida das oitavas de final da Libertadores entre Palmeiras e Cerro Porteño no Paraguai.

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Ao entrar no gramado, Felipe Melo foi flagrado pelas câmeras da Fox Sports fazendo um gesto obsceno para os torcedores do time paraguaio.

Em entrevista ao canal Fox Sports da Argentina após o jogo, o volante justificou seu ato alegando ter sofrido injúrias raciais por parte de um torcedor: “Reagi contra um torcedor que me chamou de macaco”.

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Ainda assim, a atitude do jogador, sempre envolvido em polêmicas, causou revolta até em alguns torcedores do Palmeiras, que o criticaram nas redes sociais.

Felipe Melo sofreu com racismo em 2017

O fato é lamentável, mas não inédito contra Felipe Melo. O volante do Palmeiras também foi vítima de racismo durante a Taça Libertadores de 2017.

Na primeira partida contra o Peñarol, na fase de grupos do torneio, o palmeirense acusou o uruguaio Gastón Rodríguez de chamá-lo de macaco durante a o jogo no Allianz Parque.


Felipe Melo foi alvo de racismo na Libertadores de 2017
Reprodução / Palmeiras

Felipe Melo foi alvo de racismo na Libertadores de 2017

“O cara que entrou e fez o gol deles estava me chamando de macaco durante muito tempo. Macaco pra lá, macaco pra cá. Sou preto mesmo. Ele deve ter algum problema. A mulher dele já deve ter traído ele com algum negão. Não sei o nome dele. Mas é um moreno escuro. Na época da escravidão, teria tomado chibatada igual a mim”, disse o volante em entrevista ao Sportv.

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Após a acusação, Felipe Melo afirmou ter conversado com o Gastón Rodríguez. Ele disse que o uruguaio pediu desculpas e que os dois se resolveram.

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HÁ 15 ANOS, CRAC ERGUIA, PELA SEGUNDA VEZ, A TAÇA DE CAMPEÃO GOIANO

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Na tarde de 18 de abril de 2004, a cidade de Catalão praticamente parou para testemunhar aquele que seria um jogo histórico e marcaria o bicampeonato do Clube Recreativo e Atlético Catalano (Crac) (1967/2004) no Campeonato Goiano de Futebol.

Time do Crac Campeão Goiano em 2004 (Foto: Reprodução Revista Placar)

Comandado pelo técnico Wanderley Paiva, o time de Catalão chegou à decisão após eliminar a equipe do Goiás na semifinal. Na tarde de 18 de abril, o Crac entrou em campo em busca da vitória contra o time do Vila Nova, tendo em vista que havia perdido a primeira partida por 2X1, em jogo realizado no domingo anterior, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia.
Diante de uma torcida empolgada, que lotou o Estádio Genervino da Fonseca, o Leão do Sul fez bonito e não deu chances para o time visitante, vencendo o Vila Nova no tempo normal pelo placar de 3X0, com gols de Sandro Oliveira, Celinho e Guaru.
O regulamento da competição à época, previa então que o título estadual fosse decidido nos pênaltis. O time de Catalão deu mais um show, e os jogadores converteram todas as cinco cobranças para o Leão do Sul. Guaru, Celinho, Cacá, Cleiton Goiano e Cristiano marcaram para o Leão. Para o time do Vila Nova, converteram a cobrança os jogadores Bosco, Mendes, Jacques e Tim. Luciano desperdiçou e o Crac foi campeão com o placar de 5X4.
A torcida invadiu o campo e comemorou junto à equipe campeã, naquela que foi uma data histórica para a cidade de Catalão e colocou o Crac como a grande força do futebol no interior do estado de Goiás.
O time dirigido por Wanderley Paiva contava com Helder, Baiano, Cristiano, Cleiton Mineiro e Marcinho (Cleiton Goiano), Pedrino, Celinho, Cacá e Guaru, Sandro Oliveira e Sandro Goiano.
Confira reportagem da TV Serra Dourada sobre a conquista do Crac e a festa em Catalão:

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Mulher e futebol: uma dupla que ainda incomoda muita gente

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Foto: Assessoria

Pioneira na cobertura esportiva no Rio de Janeiro e Ceará, Aline Bordalo conta sua experiência como repórter de campo. Em artigo reproduzido pelo Portal Comunique-se, ela relembra de casos de assédio que sofreu e pede: que movimentos como o #Deixaelatrabalhar não caiam no esquecimento.

Sempre que dou palestrar sobre minha carreira no jornalismo esportivo e abro para ouvir as perguntas, a primeira é sempre a mesma. “Você já sofreu preconceito por ser mulher?”. A resposta, desde que comecei a frequentar treinos e jogos, também é a mesma: “sim”.

É claro que isso vem mudando, mas ainda não dá para dizer que não existe mais. Sinceramente, não sei se algum dia o diremos. No ano passado, vimos o movimento #Deixaelatrabalhar, que abriu os olhos de muita gente para o que sempre aconteceu nos bastidores do mundo da bola. Mas, como tudo no Brasil, passou. As cantadas e os desrespeitos, porém, não passaram.

Quando comecei a cobrir futebol, ainda na década de 1990, as mulheres não representavam nem 1% dos jornalistas desta área. Não existia sala de imprensa, onde hoje são realizadas as coletivas pós-jogo. Os repórteres literalmente invadiam os vestiários, com os jogadores tomando banho, trocando de roupa, e dando entrevista ao mesmo tempo.
Minha primeira experiência foi traumática. A missão era entrevistar o Romário, que não tinha sido convocado para a seleção brasileira. Entrei no vestiário do Flamengo junto com todos OS repórteres e sentei num banco. O Baixinho estava fazendo massagem e, quando notou que havia uma mulher ali, deixou a toalha cair “sem querer”.

Imediatamente, olhei para baixo, sem saber o que fazer. Ele foi para o chuveiro e lá mesmo, embaixo d´água, foi respondendo às perguntas. Claro que fiquei de fora, outro repórter gentilmente segurou o microfone para mim.
“No ano passado, vimos o movimento #Deixaelatrabalhar, que abriu os olhos de muita gente para o que sempre aconteceu nos bastidores do mundo da bola. Mas, como tudo no Brasil, passou. As cantadas e os desrespeitos, porém, não passaram” (Aline Bordalo).

Depois de um ano na Band Rio, fui para Fortaleza, para a TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo no Ceará. Assim que cheguei, demonstrei minha vontade de ir para o esporte. Fiz um teste para apresentar o ‘Globo Esporte’ local e o diretor na época, Roberto Prado, gostou muito. Conclusão: no sábado seguinte estava lá apresentando. A partir de então, mergulhei fundo no meio do futebol. Comecei a cobrir o dia a dia dos times cearenses e a participar das transmissões do Campeonato do Nordeste. Tenho orgulho de dizer que fui a primeira mulher a fazer reportagem de campo no Ceará.

Por incrível que pareça, a receptividade dos cearenses foi a melhor possível. Frequentemente, eu era parada na farmácia ou no meio da rua por um torcedor para falar sobre os times. No estádio, o carinho comigo era grande. Sempre ouvia um coro: “Aline, cadê você, eu vim aqui só para te ver”. Não posso reclamar.

Quando voltei para o Rio de Janeiro, em 2001, demorei a conseguir um emprego na área esportiva. Na Band mesmo fui várias vezes e ouvia o mesmo discurso: “não contratamos mulher para o esporte” (na época em que trabalhei lá eu era estagiária). Acabei tendo que fazer geral mesmo (cobrir matérias de cidade). Somente em 2007 consegui finalmente voltar a falar do que mais gosto, no SBT Rio.

Quando comecei a frequentar os treinos, a situação era a mesma de anos antes – só tinha eu de mulher. Os homens me olhavam desconfiados, nem conversavam comigo. Quando eu fazia alguma pergunta na coletiva sentia que eles ficavam comentando, como se uma mulher não fosse capaz de perguntar algo inteligente.

“Comecei a cobrir o dia a dia dos times cearenses e a participar das transmissões do Campeonato do Nordeste. Tenho orgulho de dizer que fui a primeira mulher a fazer reportagem de campo no Ceará” (Aline Bordalo).

Ao longo dos anos, fui ganhando o respeito dos coleguinhas, mas não dos jogadores, assessores e técnicos. Como eu cobria os jogos em todo o país, viajava muito, e não era raro receber mensagens com convites para sair ou mesmo cantadas bem baixo nível pelo celular. Os próprios assessores passavam meu telefone para quem pedisse. Teve uma vez que eu estava sendo tão assediada num determinado clube que implorei para os meus chefes para não me mandarem lá. Era só eu falar para o assessor: “preciso de uma entrevista com Fulano de Tal”, e ele me perguntava: “o que eu vou ganhar em troca?” Era nojento. É nojento.

Naquela época ainda não se falava nesse tipo de assédio. Arrependo-me de não ter as mensagens salvas. Aliás, quando as lia, tratava logo de apagar, para esquecer. Cheguei a fugir de um treinador num hotel me escondendo no quarto de um colega. São histórias inacreditáveis, mas que acontecem todos os dias.

Espero que movimentos como o #Deixaelatrabalhar não caiam no esquecimento e sirvam para começar a mudar uma realidade para a qual muita gente ainda fecha os olhos.

“Era só eu falar para o assessor: “preciso de uma entrevista com Fulano de Tal”, e ele me perguntava: “o que eu vou ganhar em troca?” Era nojento. É nojento” (Aline Bordalo)

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